terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Artrose atingirá 12,3 milhões de pessoas no Brasil até 2015

Problema causado pela degeneração das cartilagens das articulações já afeta 5,2% da população brasileira, apontou pesquisa.
Número de brasileiros com artrose no País deve crescer 23% nos próximos 3 anos. A doença, que afeta as cartilagens das articulações, já atinge 10 milhões de brasileiros.
Um levantamento apresentado em São Paulo alerta para um prognóstico alarmante: em 2015 serão 12,3 milhões de pessoas a conviver com as dores e as dificuldades e limitações impostas pela doença.
Embora as mulheres sejam mais afetadas pela artrose do que os homens – em média, 5% a mais – neles a doença aparece mais cedo. O número se iguala, porém, quando elas entram na menopausa. A artrose é mais frequente nas faixas etárias acima dos 30 anos, com maior significância na população acima dos 60. Segundo o levantamento, 69% dos pacientes com atrose estão em tratamento, um número que pode chegar a 76% em 2015.
O tratamento com melhor resultado precisa combinar exame clínico adequado, medicamentos e um lado não-farmacológico que inclui conscientizar corretamente o paciente, além da realização de exercícios físicos. “Quando a cartilagem diminui, o ligamento fica frouxo. Se tem músculos fortes, eles funcionam como borracha, absorvem o impacto e seguram os ligamentos no lugar. A pessoa ganha mais estabilidade. Além disso, o exercício físico ajuda a hidratar a cartilagem, fazendo com que ela fique mais maleável”, explica a fisiatra Pérola.

A fisiatra indica a musculação, porque nela é possível controlar a intensidade, a carga e a amplitude do movimento. Além disso, fortalece o músculo e evita o excesso de exercício, que também faz mal. Alongamento, ressalta a especialista, é essencial. “Ele dá liberdade para a articulação. O músculo encurtado puxa o osso, pressionando a articulação, podendo levar à dor e ao desgaste”, explica

O remédio utilizado serve, em geral, para aliviar a dor, que atinge quase 100% dos pacientes. É preciso, também, evitar a automedicação. “Os pacientes fazem uso de analgésicos comuns e antiinflamatórios. Mas utilizar esses medicamentos, principalmente a longo prazo, como é no caso da doença, pode trazer problemas futuros. Por isso, é preciso ser cauteloso e procurar um médico”, aconselha Ibsen Coimbra, reumatologista e um dos coordenadores do estudo.

O estudo foi feito pelo laboratório farmacêutico Zodiac, em parceria com quatro importantes sociedades médicas: Sociedade Brasileira de Reumatologia, Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, Associação Brasileira de Medicina Física e Reabilitação e Sociedade Brasileira de Cirurgia do Joelho.

Conhecendo a Artrose

A artrose (ou osteoartrite) é um tipo de artrite resulta do desgaste e da ruptura das juntas – não confunda com a artrite reumatoide, que é um distúrbio autoimune. A artrose é uma doença bastante frequente. Estima-se que ela atinja uma boa parte dos maiores de 65 anos e até 80% das pessoas com 75 anos ou mais. E o número aumenta conforme a população envelhece e engorda.
“A cada passo, a força exercida sobre as articulações que suportam peso é uma vez e meia a do peso corporal”, explica o ortopedista Glen Johnson.
“Ao correr, a força aumenta sete ou oito vezes. Dessa forma, a maneira mais eficiente de prevenir a artrose nos joelhos e quadris é perder peso, para quem tiver sobrepeso, e buscar atividades recreativas sem impacto.”
Enquanto a maioria das pessoas pensa que a artrose é um rompimento da cartilagem que impede o contato direto entre os ossos, estudos recentes mostraram que ela é uma doença muito mais complicada e envolve tecidos dentro e ao redor das juntas, incluindo ossos e medula. A inflamação pode ser um fator contribuinte e a genética também desempenha um papel importante. Até agora foram identificados três genes que aceleram o desenvolvimento da artrose.
Qualquer tipo de lesão ou cirurgia nas articulações, mesmo realizada por artroscopia, eleva o risco de surgimento da artrose. É por isso que tantos atletas profissionais e amadores desenvolvem o problema em idades mais jovens.
Mesmo assim, existem muitas soluções potenciais além da cirurgia para reduzir a dor e preservar – talvez até restaurando – a função normal da articulação. Ainda que a cirurgia seja necessária, ela pode ser adiada por vários anos com tratamentos cuja eficácia foi comprovada em testes clínicos bem planejados.
Geralmente, as juntas artificiais duram de dez a 15 anos. Adiar a cirurgia é útil porque com quanto menos idade se substitui uma articulação, maior é a probabilidade de uma nova troca se mostrar necessária. E tanto equipamentos quanto técnicas cirúrgicas vivem sendo aprimoradas; ao adiar uma troca de articulação, você pode terminar passando por uma operação mais simples ou utilizando uma prótese mais durável.

Aceite o conselho de quem já passou por isso: a substituição da articulação, principalmente do joelho, não é moleza. É essencial fazer uma fisioterapia árdua e a recuperação pode ser demorada e dolorosa. Também existem limitações após a recuperação porque as juntas artificiais não são tão flexíveis como aquelas com que nascemos.
O que funciona
Vamos começar pelo básico. Se você pesa mais do que deveria, faça o possível para se livrar desses quilos extras. Até mesmo a perda de 10% a 15% do peso corporal pode fazer uma grande diferença.
“Não há como salientar o bastante a importância do peso corporal”, explica Johnson.
“Com a crise mundial de obesidade, veremos mais e mais casos de artrose nos joelhos, tornozelos, quadris e coluna.”
Stephen Messier, professor de ciências da saúde e exercícios da Universidade Wake Forest, demonstrou num experimento com 450 homens e mulheres com osteoartrite que uma dieta de perda de peso aliada a um programa de ginástica bem planejado pode reduzir de forma significativa a dor no joelho.
De acordo com Johnson, os exercícios mais úteis são os que fortalecem os quadríceps (músculos da frente das coxas), como leg press, miniagachamento, agachamento com apoio e exercícios de flexão e extensão que restaurem e preservem a extensão do movimento. Várias visitas ao fisioterapeuta podem ajudar.
“A severidade da dor está diretamente ligada ao grau de fraqueza muscular”, escreveu Felson no New England Journal of Medicine. Ainda segundo ele: caso o joelho doa durante os exercícios, eles devem ser evitados.
Outra medida que pode auxiliar é usar o calçado correto com ajustes na sola e no salto, se necessário. Procure uma loja especializada em avaliar os pés e a pisada. Você tem pés chatos? Tem pernas arqueadas ou joelhos voltados para dentro? Palmilhas sob medida podem auxiliar a diminuir a pressão sobre joelhos ou quadris com artrose.
Embora a maioria dos especialistas recomende a caminhada, Johnson, por sua vez, prefere atividades sem impacto, como pedalar ao ar livre ou numa bicicleta ergométrica, nadar ou fazer ginástica numa máquina de remo seco ou elíptica. Segundo ele, quem preferir caminhar pode se beneficiar usando tênis para corrida.
O emprego de joelheiras por uma pessoa com artrose também pode ser útil, principalmente se elas tirarem a pressão da parte afetada da articulação. As joelheiras auxiliam quem sofre de artrose a continuar participando de atividades físicas e a adiar a necessidade de cirurgia.
Normalmente, analgésicos só ajudam temporariamente, quando ajudam. De acordo com especialistas, pode-se tentar tomar doses diárias de paracetamol – ele é significativamente mais seguro do que o ibuprofeno e outros anti-inflamatórios não esteroides.
Estudos clínicos já mostraram não haver alívio significativo da dor no joelho com artrose pormeio do uso de suplementos de glucosamina e sulfato de condroitina. Tampouco existem provas de benefício usando dimetil sulfona, S-adenosilmetionina ou acupuntura. Ainda segundo Felson, existem indícios de que remédios para osteoporose possam auxiliar, embora ainda não tenham sido avaliados no caso de pacientes com artrose num teste clínico randomizado.
Também existem sugestões de benefício da vitamina K, nutriente essencial encontrado em vegetais crucíferos (brócolis, couve, repolho e similares), que são bons para a saúde em geral (a menos que você tome anticoagulantes).
Os tratamentos médicos incluem injeções de esteroides a cada três ou quatro meses para controlar a dor e ganhar tempo, e injeções de substitutos do fluido sinovial duas vezes por ano. No geral, porém, assegura Johnson, isso não adianta muito quando a artrose chega ao estágio de “osso no osso”.